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Blog · Reposição hormonal

Reposição hormonal na menopausa: para quem é, quando começar e os mitos

Por Dra. Lorena Vilela · Ginecologista · CRM 52-126446-0 · RQE 44302

Dra. Lorena Vilela apresentando spray de estradiol para reposição hormonal transdérmica

Ondas de calor, sono ruim, ressecamento, queda da libido… Se você chegou até aqui, provavelmente está sentindo que o corpo mudou e ouvindo opiniões contraditórias: de um lado, quem diz que hormônio "faz mal" e do outro, promessas milagrosas.

Então vamos deixar claro desde já: quem fala não sou eu, são as evidências científicas. A reposição hormonal é o tratamento mais eficaz para os sintomas da menopausa. Na mulher certa e no momento certo, é segura e transforma a qualidade de vida.

O que acontece com o corpo na menopausa

A menopausa é a última menstruação da vida, confirmada de forma retrospectiva após 12 meses sem menstruar. No Brasil, acontece em média entre os 45 e 50 anos. Desde a perimenopausa (transição) até o climatério (período), os ovários vão reduzindo a produção de estrogênio e progesterona, e essa queda é a responsável pelos sintomas. Dentre eles:

E aqui vai a parte mais importante: nenhuma mulher precisa "aceitar e aguentar". Esses sintomas têm tratamento.

Para quem a reposição é indicada

Ondas de calor moderadas a intensas — a indicação clássica, onde a terapia hormonal é mais eficaz que qualquer outra opção

Síndrome geniturinária da menopausa — ressecamento, ardência, dor na relação e sintomas urinários de repetição

Prevenção da perda óssea — em mulheres com risco aumentado de osteoporose

Menopausa precoce ou cirúrgica — antes dos 40 anos, a reposição é ainda mais importante: protege ossos, coração e cérebro

A "janela de oportunidade"

Os melhores resultados, com o melhor perfil de segurança, acontecem quando a terapia começa antes dos 60 anos ou nos primeiros 10 anos após a menopausa. Adiar a avaliação pode significar perder a fase em que o tratamento é mais vantajoso.

E para quem NÃO é indicada?

Ser honesta sobre as contraindicações faz parte de um cuidado sério. A terapia hormonal não deve ser usada em casos de:

  1. Câncer de mama atual ou suspeito.
  2. Neoplasia estrogênio-dependente (como câncer de endométrio) ativa ou suspeita, até adequada avaliação e tratamento.
  3. Sangramento uterino anormal sem diagnóstico esclarecido.
  4. Tromboembolismo venoso ativo (TVP ou TEP) ou evento recente.
  5. Doença arterial tromboembólica ativa ou recente, como: infarto agudo do miocárdio (IAM) e acidente vascular cerebral (AVC).
  6. Doença hepática grave ativa, com comprometimento da função hepática.
  7. Porfiria cutânea tarda (especialmente quando desencadeada por estrogênios).
  8. Hipersensibilidade conhecida aos componentes da formulação.

Mas atenção: ter contraindicação não significa ficar sem tratamento. Existem outras estratégias de tratamento.

Comprimido, gel, adesivo ou spray?

Não existe uma única reposição hormonal. Existe a escolha certa para cada mulher.
A forma de usar o hormônio muda o risco do tratamento: pela pele (gel, adesivo ou spray), ele vai direto para a circulação, com menor impacto no fígado, menor risco de trombose e níveis mais estáveis ao longo do dia. Por isso a via transdérmica costuma ser preferida quando há fatores de risco.
Reposição hormonal não é receita de bolo! É tratamento individualizado, com exames e acompanhamento.

E o ressecamento vaginal?

Para sintomas apenas locais (ressecamento, sintomas urinários), o estrogênio vaginal pode e deve ser usado, sem contraindicações, pois não é considerado reposição hormonal.

Leia também: ressecamento vaginal — tratamento com e sem hormônio.

Os grandes mitos!

"Reposição hormonal causa câncer de mama"

Esse medo nasceu de um estudo americano de 2002 (WHI), amplamente reinterpretado depois. Hoje se sabe: o risco depende do tipo de hormônio, da dose, da via e do tempo de uso e, para a maioria das mulheres saudáveis na janela de oportunidade, os benefícios superam os riscos.

"Hormônio engorda"

É a menopausa em si que favorece o ganho de gordura abdominal, pela queda do estrogênio. A terapia bem conduzida não causa ganho de peso e frequentemente devolve a disposição para se exercitar.

"É melhor sofrer um pouco do que tomar hormônio"

Sintomas intensos não tratados comprometem sono, trabalho, relacionamentos e a saúde óssea e cardiovascular a longo prazo. Sofrimento não é proteção.

"Bioidêntico manipulado é mais seguro"

Hormônios bioidênticos existem em medicamentos industrializados, aprovados e com dose controlada. Fórmulas manipuladas sem controle de dose não têm a mesma garantia de segurança e não são consideradas superiores pelas sociedades médicas.

Perguntas frequentes

Quanto tempo posso usar a reposição hormonal?

Não existe prazo fixo obrigatório. A duração é individualizada e reavaliada periodicamente, considerando sintomas, benefícios e o perfil de risco de cada fase da vida.

Serve para quem ainda menstrua?

Sim. Mulheres no climatério (perimenopausa) com sintomas importantes podem se beneficiar de esquemas específicos para essa fase. A avaliação define a melhor estratégia.

Em quanto tempo sinto os efeitos?

As ondas de calor costumam melhorar nas primeiras semanas. Sintomas geniturinários e a qualidade do sono melhoram progressivamente ao longo dos primeiros meses.

Preciso fazer exames antes de começar?

Sim. A prescrição responsável de hormônios exige avaliação clínica e exames prévios, além de acompanhamento regular durante todo o uso.

E quem não pode usar hormônio?

Tem opção também: medicações não hormonais e tecnologias como a radiofrequência íntima tratam ressecamento, flacidez e outros sintomas em mulheres com contraindicação à terapia hormonal.

Quer saber se a reposição é indicada para você?

A consulta é um espaço de conversa, exame, escuta e planejamento. Te espero na clínica.

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Artigo de caráter informativo, não substitui consulta médica. Revisado por Dra. Lorena Vilela, Ginecologista · CRM 52-126446-0 · RQE 44302 · Av. Visconde de Pirajá, 414, sala 1017 - Ipanema, Rio de Janeiro.