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Ressecamento vaginal: tratamento com e sem hormônio — qual é o ideal para você
Por Dra. Lorena Vilela · Ginecologista · CRM 52-126446-0 · RQE 44302
Ardência no dia a dia, desconforto com calça jeans, dor na relação, infecção urinária que vive voltando… Se isso faz parte da sua rotina, deixa eu te falar uma coisa: não é "frescura", não é "coisa da sua cabeça" e você não precisa aceitar como inevitável.
O ressecamento vaginal é uma condição médica com nome, causa e solução... e não apenas uma. As opções vão dos hidratantes ao estrogênio local, da reposição hormonal às tecnologias sem hormônio, como a radiofrequência, o laser, bioestimulador e ácido hialurônico aplicados na região íntima. A escolha certa depende da causa, da intensidade e da sua história.
Por que o ressecamento acontece
A lubrificação e a elasticidade vaginal dependem diretamente da ação do estrogênio. Quando ele cai, a mucosa fica mais fina, menos irrigada e mais sensível, causando sintomas como dor, ardência e sensação de queimação, causando o que chamamos de Síndrome Geniturinária da Menopausa.
As causas mais comuns:
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Menopausa e climatério — a causa mais frequente: até metade das mulheres na pós-menopausa apresenta sintomas
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Pós-parto e amamentação — queda hormonal temporária, mas que pode incomodar bastante
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Tratamento do câncer de mama — quimioterapia e bloqueadores hormonais reduzem drasticamente o estrogênio
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Medicamentos — alguns antidepressivos, antialérgicos e anticoncepcionais
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Fatores locais — duchas internas, sabonetes agressivos e tabagismo
Identificar a causa é o primeiro passo porque é ela que define o melhor tratamento.
Os sinais vão além da relação sexual
Muitas mulheres só procuram ajuda quando a dor na relação fica insuportável. Mas secura e ardência no dia a dia, coceira, desconforto ao pedalar ou usar roupa justa, pequenos sangramentos após a relação, urgência para urinar e infecções urinárias de repetição também são sinais. Dois ou mais desses sintomas na sua rotina? Vale investigar.
Tratamentos com hormônio
Estrogênio vaginal local: primeira linha para sintomas concentrados na região íntima. Cremes, óvulos ou comprimidos vaginais, agindo só onde precisa. Em poucas semanas a mucosa recupera espessura, lubrificação e elasticidade.
Reposição hormonal sistêmica: quando o ressecamento vem acompanhado de ondas de calor, insônia e alterações de humor, a terapia trata o conjunto. A via, a dose e o esquema são sempre individualizados: hormônio não é receita de prateleira.
Leia também: reposição hormonal na menopausa — indicações e mitos.
Tratamentos sem hormônio
Nem toda mulher pode ou quer usar hormônios. Sobreviventes de câncer de mama, mulheres com histórico de trombose ou que preferem outra abordagem têm opções eficazes:
Hidratantes e lubrificantes vaginais: os hidratantes de uso regular (à base de ácido hialurônico, por exemplo) cuidam da mucosa de forma contínua; os lubrificantes resolvem o momento da relação. São o cuidado de base mas, nos quadros moderados a intensos, raramente bastam sozinhos.
Radiofrequência íntima (Exilis Ultra 360): um dos maiores avanços recentes da ginecologia: radiofrequência e ultrassom aquecem os tecidos de forma controlada, estimulando novo colágeno e melhorando a circulação local. O resultado é uma mucosa mais espessa, elástica e naturalmente lubrificada, sem uso de hormônio, sem cortes e sem dor. Sessões rápidas com resultados progressivos já percebidos ao término da primeira sessão. Pode ser opção inclusive para pacientes oncológicas em caráter multidisciplinar.
Com ou sem hormônio: como escolher?
No consultório, a pergunta certa não é "qual tratamento é melhor?", e sim "qual combinação é melhor para você?". Sintomas gerais + íntimos costumam pedir reposição sistêmica; sintomas só locais: estrogênio vaginal; contraindicação a hormônio: hidratantes + radiofrequência; e resposta parcial ao hormônio com flacidez associada: o protocolo combinado. O plano é desenhado para a sua causa, a sua história e os seus objetivos.
Perguntas frequentes
Ressecamento vaginal tem cura?
Tem tratamento eficaz. Como a causa costuma ser hormonal e contínua (menopausa), o cuidado é de manutenção com hormônios, tecnologia ou ambos devolvendo conforto e qualidade de vida.
Quem teve câncer de mama pode tratar o ressecamento?
Sim. Hoje sabemos que não há contraindicação ao tratamento vaginal mesmo com medicações hormonais, pois os efeitos são locais. Mas, se a paciente preferir, ou tiver recomendação para não utilizar tratamento íntimo com hormônio, existem opções não hormonais, como hidratantes à base de ácido hialurônico e a tecnologia: radiofrequência íntima, laser íntimo e protocolos injetáveis com bioestimulador e ácido hialurônico.
A decisão sempre deve ser em conjunto com a equipe oncológica.
Lubrificante resolve o problema?
Alivia o momento da relação, mas não trata a causa. Nos quadros moderados a intensos, é complemento, não solução.
A radiofrequência íntima dói?
Não. Você sente um aquecimento na região, sem dor, sem anestesia e sem necessidade de repouso após a sessão.
E o melhor, resultados imediatos.
Em quanto tempo os tratamentos fazem efeito?
O estrogênio local costuma melhorar os sintomas em poucas semanas. Na radiofrequência, os resultados aparecem progressivamente ao longo do protocolo, à medida que o novo colágeno é produzido.
Você não precisa conviver com desconforto íntimo
Agende uma avaliação para investigar a causa e montar o plano ideal para o seu caso com hormônio, sem hormônio ou combinando o melhor dos dois. Te espero na clínica.
Agendar pelo WhatsAppArtigo de caráter informativo não substitui consulta médica. Revisado por Dra. Lorena Vilela, Ginecologista · CRM 52-126446-0 · RQE 44302 · Av. Visconde de Pirajá, 414, sala 1017 — Ipanema, Rio de Janeiro.