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Blog · Contracepção

DIU: tipos, indicações e como é a inserção com anestesia

Por Dra. Lorena Vilela · Ginecologista · CRM 52-126446-0 · RQE 44302

Publicado em 10 de agosto de 2026 · Revisado em

Dra. Lorena Vilela em centro cirúrgico, paramentada, segurando o aplicador de DIU antes da inserção

"Você quer colocar um DIU, mas o medo da dor está fazendo você adiar? Essa é a razão mais comum para uma mulher desistir de um dos métodos contraceptivos mais eficazes que existem."

O DIU é reversível, dura anos e pode ser usado por mulheres de diferentes idades, inclusive por quem nunca teve filhos. Depois da retirada, a fertilidade retorna rapidamente.

Mas escolher o DIU não é escolher um modelo. É avaliar o seu histórico, seu padrão menstrual, suas cólicas, seus planos reprodutivos e sua vontade de usar ou não hormônio. E, cada vez mais, é também decidir como você quer viver o momento da inserção.

Os dois tipos de DIU

  DIU não hormonal DIU hormonal
Como age Libera íons de cobre no útero, criando um ambiente que dificulta a função dos espermatozoides Libera levonorgestrel diretamente no útero
Hormônio Não contém Contém, em dose local
Efeito na menstruação Pode aumentar o fluxo e as cólicas, sobretudo nos primeiros meses Costuma reduzir fluxo e cólicas; algumas mulheres deixam de menstruar
Duração Varia conforme o dispositivo; cobre com prata 5 anos e alguns modelos de cobre chegam a 10 - 12 anos Varia conforme o dispositivo; Mirena 8 anos para contracepção e Kyleena 5 anos
Costuma fazer sentido para Quem prefere um método sem hormônio Quem tem fluxo intenso ou cólicas e quer reduzir o sangramento e na transição ou após a menopausa para proteção endometrial na TRH

Deixar de menstruar por efeito do DIU hormonal não significa problema.

Qual DIU é melhor?

Não existe um DIU melhor. Existe o DIU mais adequado para cada mulher.

A pergunta útil não é "qual DIU é melhor", e sim "qual DIU é melhor para mim". A resposta depende do seu ciclo, das características do seu fluxo, dos seus planos e da sua preferência quanto ao uso de hormônio. Por isso a escolha vem depois da avaliação, não antes.

Quem pode usar

Muitas mulheres que desejam contracepção de longa duração podem usar DIU, inclusive quem nunca engravidou. Idade, por si só, não contraindica o método.

Algumas situações precisam ser avaliadas antes da inserção:

A inserção dói? E o que fazer com esse medo

A experiência varia muito. Algumas mulheres sentem apenas uma cólica breve. Outras têm uma experiência bem mais dolorosa. Ainda assim, o medo da dor costuma ser tratado como algo que a paciente precisa simplesmente aguentar e não precisa.

Você tem indicação para DIU, mas tem medo da inserção?

A colocação do DIU não precisa ser uma experiência de dor e ansiedade. Em pacientes selecionadas, o procedimento pode ser realizado com anestesia e sedação, com acompanhamento anestésico e toda a estrutura necessária para maior conforto e segurança.

Essa possibilidade costuma fazer sentido para quem tem muito medo da dor, já teve uma experiência traumática, apresenta maior sensibilidade, tem anatomia que dificulta o procedimento ou simplesmente não deseja passar por ele acordada.

O tipo de anestesia é definido individualmente, considerando as características da paciente e a avaliação conjunta do ginecologista e do anestesiologista. Sentir dor não é requisito para colocar um DIU.

Como é feita a inserção

Inserção convencional, em consultório: é feito o exame ginecológico, visualiza-se o colo do útero e o dispositivo é posicionado através do canal cervical. É um procedimento rápido.

Inserção com anestesia ou sedação: a paciente passa antes por avaliação pré-anestésica. Em algumas situações, essa via também permite lidar melhor com anatomias em que a inserção convencional seria mais difícil.

Leia também: reposição hormonal na menopausa - indicações e mitos.

O que esperar depois

Cólicas e pequeno sangramento nos primeiros dias são esperados. Com o DIU de cobre ou cobre com prata, o fluxo e as cólicas podem aumentar no início. Com o hormonal, é comum haver sangramento irregular nos primeiros meses, com tendência à redução ao longo do tempo em muitos casos evoluindo para amenorreia (ausência de menstruação).

Complicações são incomuns, mas existem: expulsão do dispositivo, perfuração uterina e infecção pélvica, esta última especialmente quando há infecção não tratada no momento da inserção.

Procure avaliação imediata se apresentar dor intensa ou persistente que não melhora com medicação, sangramento em grande quantidade, febre ou corrimento com odor desagradável.

Dois pontos que geram confusão

"DIU causa infertilidade." Não causa. É um método reversível, e a fertilidade retorna rapidamente após a retirada.

"o DIU machuca o parceiro." O DIU fica dentro do útero e é impossível entrar em contato direto com o dispositivo durante a relação. O que pode ficar no canal vaginal é o fio e ele não machuca. Se ele gerar algum incômodo é possível diminuir o tamanho, em consultório.

Perguntas frequentes

Dá para colocar DIU com anestesia?

Sim. Em pacientes selecionadas, a inserção pode ser feita com anestesia, com avaliação pré-anestésica e acompanhamento do anestesiologista. A indicação é individual e definida em consulta. Sentir dor não é requisito obrigatório para colocar um DIU.

Quem nunca teve filho pode colocar DIU?

Pode. Nunca ter engravidado não contraindica o método. O que define é a avaliação clínica e ginecológica de cada paciente.

DIU de cobre ou cobre com prata ou hormonal: qual escolher?

Depende do seu padrão menstrual e das suas preferências. O hormonal costuma reduzir fluxo e cólicas; o de cobre ou cobre com prata costumam aumentar, mas são opções contraceptivas livres de hormônios. Mas a escolha vem depois da avaliação ginecológica. Temos que levar em conta a expectativa de cada mulher e principalmente os efeitos colaterais de cada método.

Quanto tempo o DIU dura?

Varia conforme o dispositivo. Mas no geral: DIU de cobre com prata (ou mini DIU) 5 anos, DIU de cobre até 10-12 anos (a depender do modelo), DIU Kyleena 5 anos e DIU Mirena 8 anos (se o intuito for contracepção). O prazo é confirmado na consulta.

O DIU pode sair do lugar?

A expulsão é incomum, mas pode acontecer. Por isso o acompanhamento após a inserção é importante, e qualquer suspeita deve ser avaliada.

DIU causa infertilidade?

Não causa. É um método reversível, e a fertilidade retorna rapidamente após a retirada.

Medo da dor não precisa decidir por você

Se você tem vontade de colocar um DIU e o medo da inserção está fazendo você adiar, esse medo merece entrar na conversa. Na consulta avaliamos qual dispositivo faz sentido para o seu caso e quais são as opções de controle da dor, incluindo a inserção com anestesia quando houver indicação.

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Este conteúdo tem caráter educativo, baseado nas recomendações atuais da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da FEBRASGO, e não substitui uma consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente. Revisado por Dra. Lorena Vilela, Ginecologista · CRM 52-126446-0 · RQE 44302 · Av. Visconde de Pirajá, 414, sala 1017 - Ipanema, Rio de Janeiro.