Blog · Assoalho pélvico
Perder xixi não é "normal da idade"
Por Dra. Lorena Vilela · Ginecologista · CRM 52-126446-0 · RQE 44302
Publicado em 4 de agosto de 2026
"Você ri, espirra, tosse ou levanta peso e escapa um pouco de urina. E pensa: 'isso é normal, minha mãe também tinha, deve ser da idade mesmo.' Vamos direto ao ponto: isso é comum, mas não é normal!"
No guarda-roupa só tem roupa preta, você vive usando absorvente, evitando o pula-pula com os netos, calculando onde fica o banheiro mais próximo antes de sair de casa... E, sem perceber, vai abrindo mão de coisas que gostava de fazer!
Mas eu quero te afirmar que incontinência urinária é comum, mas não é normal.
E mais que isso... hoje existem inúmeras opções de tratamento, sem ser cirurgia.
Comum não é a mesma coisa que normal
Estima-se que quase metade das mulheres apresente algum grau de perda urinária depois da menopausa. "Comum" quer dizer isso: acontece com muita gente. "Normal" seria dizer que não há nada a fazer e isso é mito.
Essa confusão tem um efeito concreto: a mulher demora anos para procurar ajuda porque acredita que não existe solução, ou porque no começo não atrapalha tanto. O problema é que a incontinência urinária raramente resolve sozinha. Ela costuma se instalar aos poucos e, sem cuidado, tende a piorar e o escape que só acontecia numa risada mais forte, passa a acontecer ao caminhar, espirrar ou sem esforço nenhum.
Por que acontece
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Enfraquecimento do assoalho pélvico: o grupo de músculos que sustenta bexiga, útero e intestino perde força com o tempo, como qualquer músculo pouco treinado.
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Queda de estrogênio na menopausa: o hormônio mantém a mucosa da uretra e da vagina saudável; quando cai, esses tecidos perdem sustentação.
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Gestações e partos vaginais, que sobrecarregam essa musculatura.
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Sobrepeso, tosse crônica e constipação intestinal: tudo que aumenta a pressão dentro do abdômen com frequência.
Existe explicação fisiológica. E o que tem explicação tem também solução.
Os tipos mais comuns
Incontinência de esforço: escape ao tossir, espirrar, rir, correr ou levantar peso. É o tipo mais frequente em mulheres.
Incontinência de urgência: vontade súbita e forte de urinar, às vezes sem tempo de chegar ao banheiro.
Incontinência mista: combinação das duas.
Identificar o tipo (ou a combinação) é o primeiro passo, porque o tratamento certo depende do diagnóstico.
Como o tratamento é organizado hoje
As sociedades de ginecologia e uroginecologia no Brasil, a FEBRASGO, e internacionalmente a International Continence Society (ICS) recomendam começar sempre pelo mais simples e menos invasivo, avançando apenas se for necessário:
- 1.
Mudanças de hábito: controle de peso, tratamento da tosse crônica e da constipação, e atenção ao consumo de cafeína e álcool, que irritam a bexiga.
- 2.
Fisioterapia do assoalho pélvico: é a abordagem inicial recomendada para casos leves a moderados, com o maior nível de evidência científica disponível entre todas as opções. Treina exatamente a musculatura responsável pela continência.
- 3.
Tratamento hormonal local: quando a queda de estrogênio da menopausa faz parte do quadro, o estrogênio vaginal local tem boa evidência e baixo risco, agindo diretamente na mucosa da uretra e da vagina.
- 4.
Tecnologias de consultório (laser e radiofrequência): são procedimentos ambulatoriais sem corte, sem pontos e geralmente sem necessidade de anestesia. Sessões rápidas, com retorno às atividades no mesmo dia. O mecanismo de ação tem objetivo de estimular a produção de colágeno (neocolagênese) fazendo com que melhore não apenas a sustentação como a saúde da mucosa.
- 5.
Tratamento cirúrgico: reservado para casos moderados a graves ou quando as opções anteriores não trouxeram o resultado esperado.
O ponto central
Quanto mais cedo o cuidado começa maior a chance de resolver o problema sem precisar chegar à cirurgia.
Quando procurar ajuda
Não é espere que comece a atrapalhar muito.
Vale marcar uma consulta, se você:
Perde urina ao tossir, rir, espirrar ou se exercitar, mesmo que "só um pouquinho"
Sente vontade urgente e repentina de urinar, às vezes sem tempo de chegar ao banheiro
Acorda mais de duas vezes à noite para ir ao banheiro
Vem evitando atividades físicas, sociais ou íntimas por medo de perder urina, ou percebe que o problema está piorando com o tempo
Nenhum desses sinais deve ser aceito como "coisa da idade". É um sintoma com causa investigável e várias opções eficazes de tratamento. E o primeiro passo é simplesmente conversar sobre isso, sem vergonha.
Leia também: ressecamento vaginal - tratamento com e sem hormônio.
Perguntas frequentes
Perder um pouco de urina ao rir, tossir ou espirrar é normal da idade?
Não!!! É comum, mas não é normal.
Não se pode normalizar um sintoma que diminui a qualidade de vida e prejudica a saúde íntima.
Tem tratamento na grande maioria dos casos.
A incontinência urinária tem tratamento sem cirurgia?
Sim. Inclusive a recomendação das principais diretrizes é começar sempre pelo tratamento menos invasivo: mudanças de hábito, fisioterapia do assoalho pélvico, tratamento hormonal tópico e tecnologias de consultório como laser e radiofrequência. A cirurgia fica reservada para casos moderados a graves ou quando as opções anteriores não trouxeram o resultado esperado.
O que é a fisioterapia do assoalho pélvico?
É um tratamento local, que visa o treinamento da musculatura responsável pela continência. Quando bem orientada e realizada por equipe especializada, os resultados são surpreendentes.
Laser e radiofrequência funcionam para incontinência urinária?
São procedimentos modernos, ambulatoriais e eficazes. Devem ser feitos por equipe treinada, preferencialmente com ginecologista, pois a indicação certa de qual tecnologia usar para cada paciente é de suma importância para o sucesso do tratamento. Agem diretamente na produção de colágeno e por vezes atingindo camadas mais profundas o que promove uma melhora da região íntima como um todo.
Quando devo procurar ajuda para a perda de urina?
Se você perde urina ao tossir, rir, espirrar ou se exercitar; se sente vontade urgente e repentina de urinar e precisa sair correndo para chegar à tempo no banheiro; se acorda varias vezes à noite para ir ao banheiro; se vem evitando atividades físicas, sociais ou íntimas por medo de escapar; ou se percebe que o problema está piorando.
Você não precisa organizar a vida em torno do banheiro
A perda de urina tem causa e tratamento, na maioria das vezes, sem cirurgia. Na consulta, avaliamos seu caso de forma individualizada para definir, junto com você, o melhor caminho.
Agendar pelo WhatsAppEste conteúdo tem caráter educativo, baseado nas recomendações atuais da FEBRASGO e da International Continence Society (ICS), e não substitui uma consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente. Revisado por Dra. Lorena Vilela, Ginecologista · CRM 52-126446-0 · RQE 44302 · Av. Visconde de Pirajá, 414, sala 1017 - Ipanema, Rio de Janeiro.